Câncer de Pele

Imagem Câncer de Pele

Quando há uma suspeita?

A suspeita diagnóstica do câncer de pele geralmente é feita pelo exame clínico. Pode ser reconhecido usando a regra do ABCDE.

    A) Assimetria: a lesão (pinta) é irregular no seu formado;
    B) Bordas: as lesões geralmente apresentam bordas irregulares;
    C) Cor: frequentemente, apresenta várias tonalidades de cor marrom, cinza, azul ou preta;
    D) Diâmetro: as lesões geralmente têm mais de 6 mm de diâmetro;
    E) Evolução: lesões que mudam de tamanho, cor, ou lesões novas.

Outros sinais e sintomas: lesões elevadas brilhantes, lesões com crosta no centro, lesões que sangram facilmente, mancha ou ferida que não cicatriza, lesões que coçam frequentemente. Lembre-se: Algumas pintas e lesões de pele nem sempre se enquadram nessa regra. Procure um especialista sempre que suspeitar de algo diferente.

Câncer de Pele não Melanoma

É o câncer de maior incidência no mundo. No Brasil, segundo as estimativas do INCA, para o triênio 2023-2025, são esperados 101.920 novos diagnósticos em homens e 118.520 em mulheres. Apesar de ser o câncer de maior incidência, é o que apresenta menor mortalidade, se tratado de maneira adequada.

Fatores de risco: exposição aos raios ultravioletas sem proteção, pele clara, imunossupressão, doenças de pele (exemplo: psoríase, xeroderma), cicatrizes crônicas de queimaduras, radioterapia, ter tido câncer de pele prévio, sexo masculino (provavelmente por maior exposição), exposição a alguns produtos químicos (arsênio, parafina, alcatrão).

O CARCINOMA BASOCELULAR ou de células basais representa 75%-80% dos casos de câncer de pele. É mais comum em pessoas de meia-idade e idosos. Geralmente aparece em áreas muito expostas ao sol, como o rosto e o pescoço. É um câncer que se desenvolve lentamente e dificilmente se espalha para outras áreas do corpo, principalmente quando tratado no início.

Entre 35% e 50% das pessoas que tiveram esse câncer de pele vão ter outro num prazo de 5 anos após o diagnóstico.

O CARCINOMA ESPINOCELULAR ou de células escamosas responde por 20%-50% dos casos de câncer de pele não melanoma. Os locais mais comuns de acometimento são: rosto, lábios, orelhas, pescoço e dorso da mão. Carcinomas espinocelulares têm risco maior que o basocelular de invadir o tecido gorduroso e atingir outros órgãos. Porém, quando tratados precocemente, esse risco diminui.

Na suspeita diagnóstica, é realizada uma avaliação pelo especialista, com auxílio de um dermatoscópio, aparelho que amplia a imagem e possibilita uma melhor avaliação da lesão. Após essa avaliação, define-se a necessidade de biópsia ou cirurgia.

Melanoma

O melanoma vem apresentando aumento da sua incidência no decorrer dos anos, sendo mais comum em pessoas de maior idade. É mais frequente em pessoas de pele clara e representa 3% das neoplasias malignas da pele. Porém, é o principal responsável pela mortalidade entre os tumores de pele.

O melanoma tem origem nos melanócitos (células produtora de melanina, substância que determina a cor da pele e protege contra os efeitos nocivos da radiação solar). Pode aparecer em qualquer parte do corpo: pele, mucosas, meninge, plexo coroide, fundo de olho, trato gastrointestinal.

Os fatores de risco para o melanoma são: exposição prolongada e repetida ao sol (raios ultravioletas); exposição a câmaras de bronzeamento artificial; ter pele e olhos claros, com cabelos loiros ou ruivos, ou ser albino; histórico familiar ou pessoal de câncer de pele.

A classificação dos melanomas é baseada em padrões clínicos e patológicos. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, a classificação é feita de acordo com a fase de crescimento e é dividida em dois grupos: fase de crescimento radial e fase de crescimento vertical. Os subtipos histológicos são: melanoma superficial, melanoma acral lentiginoso, melanoma tipo lentigo maligno, melanoma nodular. Há também outros tipos de melanoma, como o desmoplásico/neurotrópico e o melanoma amelanótico.

O melanoma pode apresentar-se como doença metastática e a lesão primária jamais ser encontrada. Chamado de melanoma metastático com sítio primário indefinido.

Uma ferramenta muito importante para o diagnóstico e tratamento precoce do melanoma é a dermatoscopia. O dermatoscópio permite uma visão ampliada da lesão da pele, estruturas não visíveis ao exame clínico podem ser avaliadas, permitindo uma melhor visualização da superfície das lesões pigmentadas. Além disso, a dermatoscopia auxilia na diferenciação entre as lesões de pele melanocíticas e não melanocíticas. Com a suspeita clínica, é realizada uma biópsia da lesão e o material é enviado para avaliação anatomopatológica.

De acordo com as informações obtidas com a biópsia, é definida a ampliação de margens da área e a necessidade ou não da biópsia do linfonodo sentinela. O linfonodo sentinela é o primeiro linfonodo para qual drena o tumor primário.

Após o diagnóstico, é realizado o estadiamento do paciente, que leva em consideração o tamanho da lesão, status linfonodal e presença de metástase. O uso de exames de imagem no estadiamento dos pacientes com melanoma deve levar em consideração o risco de doença metastática, se baixo ou alto risco.

O seguimento pós-operatório deve ser realizado para todos os pacientes submetidos à cirurgia e as recomendações levam em consideração o risco de recidiva baseado no estadiamento realizado. Portanto, a periodicidade e necessidade de exames de imagem variam entre os pacientes com melanoma.

A sobrevida é diretamente ligada ao estadiamento da doença no diagnóstico, sendo o diagnóstico precoce crucial para um melhor desfecho.

A necessidade de tratamento sistêmico com imunoterapia, terapia alvo, radioterapia leva em consideração o risco de recidiva e a presença ou não de doença metastática.

Dr. Vinícius Vertematti

CRM: 170157 - RQE: 93746

Dr. Vinícius atua em diversas áreas da cancerologia cirúrgica, principalmente nos tumores do fígado, pâncreas e vias biliares, Oncologia cutânea (tumores de pele), na Oncoginecologia (tumores ginecológicos) e tumor colorretal.
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